Category: youth gospel

Nas últimas semanas o desporto rei tem sido assunto recorrente.
Não que não o seja por norma (muito mais dos que seria desejável, diria) mas ultimamente tem trazido para a ribalta aquilo que de melhor qualquer actividade – física, intelectual ou social – pode ter: o lado mais humano da questão.
Quando, há praticamente 10 anos atrás, um jovem húngaro se despediu da vida em campo, partilhando o seu último sorriso com todos os que, mais ou menos aficionados, não puderam evitar o momento, a onda de reflexão generalizada sobre o sentido e a fugacidade da existência humana veio com o ímpeto de um tsunami, de repente transformando o campo de sonhos num palco global de emoções profundas. A ferocidade das paixões normalmente associadas ao futebol deu lugar, durante aqueles dias, a um oceano de sensibilidade e cooperação.
Clubismos à parte (e neste ponto devo admitir que o meu coração é tão vermelho quanto o da Fáfá…;), a ocasião só encontrou par por estas bandas no dia de Reis (e seguintes) deste ano. No mínimo curioso que a partida daquele que foi apelidado King, considerado o melhor na sua função no país que o acolheu e em tempos no mundo, tenha coincidido com tal solenidade… O que é facto é que todo o planeta lamentou o sucedido, de forma que para alguns poderá parecer exagerada mas que não deixa de denotar algumas características que começam a faltar no nosso dia-a-dia: sinceridade, simplicidade, espontaneidade, afeição e respeito.
E o que tem isto que ver com o Evangelho de Domingo? Chamem-me louca (que o sou!) mas eu diria: tudo. Este Domingo ouvimos o testemunho de João Baptista sobre a forma como a sua vida/actividade diária ganhou sentido ao encontrar Jesus e reconhecê-lo como Filho de Deus. Nas suas palavras: “Eu não O conhecia, mas foi para Ele Se manifestar a Israel que eu vim baptizar na água”.
Das últimas semanas uma das frases que mais me ficou foi algo nestes moldes: “Ele era tão bom naquilo que fazia que todos os passos dele davam Glória a Deus”. E isto fez-me pensar naquilo que ninguém devia esquecer em momento algum: todos nós temos talentos, uns mais desenvolvidos outros menos; uns mais notáveis outros mais discretos; uns mais propícios ao lucro, outros nem tanto, mas todos, todos sem excepção, podem ser usados para o bem, glorificando Aquele que nos criou e que nos quer a fazer o melhor que pudermos com os nossos dons.
Os homens da bola não são mais que os outros, são criaturas, com talentos, com fraquezas, com qualidades e imperfeições. Não são mais dignos de nota ou respeito do que qualquer um de nós, a não ser que se destaquem por aquilo que a todos pode fazer brilhar seja em que campo for: coragem, dedicação, honradez, humildade, altruísmo e, claro, aquilo a que muito raramente se chama de vocação. E não há vocação menos digna que qualquer outra, desde que os princípios que a guiem sejam aqueles que tornam miúdos em heróis, estranhos de terras longínquas em irmãos, homens comuns em exemplos de vida.
O nosso maior exemplo é Jesus, mas há tantas formas diferentes de segui-Lo quantos seguidores, e nenhuma delas está mais certa que a outra. Basta que nos entreguemos, de corpo e alma e coração aberto, e cultivemos aquilo que Ele semeou em nós e espera que façamos crescer e dar fruto. Esse fruto, seja em forma de sorriso, de presença constante e humilde, de lágrimas de emoção sincera, ou de qualquer outra manifestação mais ou menos espalhafatosa, desde que provenha de terra fecunda e floresçam com a luz d’Ele, a da Fé e do Amor, terão, certamente, para Deus o sabor da Glória. 

Naquele tempo, João Baptista viu Jesus, que vinha ao seu encontro, e exclamou: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. É d’Ele que eu dizia: ‘Depois de mim vem um homem, que passou à minha frente, porque era antes de mim’. Eu não O conhecia, mas foi para Ele Se manifestar a Israel que eu vim baptizar na água». João deu mais este testemunho: «Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e permanecer sobre Ele. Eu não O conhecia, mas quem me enviou na baptizar na água é que me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e permanecer é que baptiza no Espírito Santo’. Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus». Jo 1, 29-34

Jesus nasceu, e os reis Magos procuraram-no incessantemente. Nós, cristãos que somos, percorremos o mesmo caminho ao longo da nossa vida terrena, até atingirmos a felicidade perfeita com Deus. Para isso, é necessário passar por vários obstáculos, tal como os reis Magos, que foram interpelados pelo Rei Herodes que, por se sentir atingido pelo nascimento do Rei dos Judeus. Ele queria acabar já a missão de Deus na terra, que já desde o seu nascimento se fez alimento para os Homens ao nascer na manjedoura (local onde os animais do estábulo se alimentavam).
Temos que percorrer os caminhos que nos guiem até Jesus, nossa estrela na escuridão da noite, que ilumina o caminho. Este caminho não é único, pois cada um tem a sua vida, a sua forma de pensar, mas a verdade é que para Deus é o caminho que tem mais obstáculos, mais desafios, mais confrontos com aquilo que menos gostamos para que, cada vez mais, demos valor àquilo que temos.
No nosso caminho até Deus, levemos também connosco prendas para Ele, não ouro, mirra e incenso, mas a nossa vida que é tudo.
Não deixemos de procurar Jesus na nossa vida, e rezemos cada vez mais para que Ele nos ajude, nos guie e nos ilumine na nossa vida.

Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho. Mt 2, 1-12

José foi o pai terreno do menino Jesus e, como pai que era, protegeu-o e fez tudo para o seu bem, para o manter em segurança. Assim é relatado no Evangelho do último Domingo deste ano, onde celebramos a festa da Sagrada Família, onde José protege o menino Jesus com todas as suas forças! José é um exemplo pois este foi pai do filho de Deus, e Ele só iria escolher para tal “cargo” uma pessoa humilde, trabalhadora, simples, como José!
Para livrar o seu filho da morte, José foi avisado em sonhos por um Anjo do Senhor e todos nós podemos ser ajudados e aconselhados pelo Senhor, mas para isso temos que estar vigilantes, atentos.
Jesus só se tornou na pessoa que foi graças à sua Sagrada Família, tal como as nossas famílias nos passam os ensinamentos para que sejamos pessoas de bem. A família é a base para uma vida feliz, ainda que por vezes tenhamos algumas desavenças com a nossa devemos tê-la sempre perto de nós e dar a devida importância pois sem ela é-nos mais difícil ser mais feliz. É na família que crescemos também na fé, e devemos ser tolerantes perante os seus elementos.
Infelizmente há pessoas que estão sós, não têm família, ou a que têm não mantêm contacto com ela, e a vida dessas pessoas é triste e com uma solidão imensa… Devemos também orar e ter atenção com essas pessoas que pouco ou nada têm, pois Jesus sempre nos ensinou a amar e ajudar o próximo!

Depois de os Magos partirem, o Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e foge para o Egipto e fica lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar o Menino para O matar». José levantou-se de noite, tomou o Menino e sua Mãe e partiu para o Egipto e ficou lá até à morte de Herodes. Assim se cumpriu o que o Senhor anunciara pelo Profeta: «Do Egipto chamei o meu filho». Quando Herodes morreu, o Anjo apareceu em sonhos a José, no Egipto, e disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e vai para a terra de Israel, pois aqueles que atentavam contra a vida do Menino já morreram». José levantou-se, tomou o Menino e sua Mãe e voltou para a terra de Israel. Mas, quando ouviu dizer que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de seu pai, Herodes, teve receio de ir para lá. E, avisado em sonhos, retirou-se para a região da Galileia e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Assim se cumpriu o que fora anunciado pelos Profetas: «Há-de chamar-Se Nazareno». Mt 2, 13-15.19-23


O filho de DEUS encarnou no seio da Virgem Maria pelo poder do Espirito Santo, para nos reconciliar a nós pecadores com DEUS, para nos dar a conhecer o seu amor infinito e ser o nosso modelo de santidade.
Na atualidade o Natal é a festa do consumismo, das prendas, da refeição familiar, das tradições familiares que têm de ser respeitadas mesmo quando não significam nada. Mas, o verdadeiro Natal é a celebração do nascimento do senhor Jesus, em que felizmente o Verbo fez-se carne.
Maria é uma figura que está sempre disponível para escutar os apelos de DEUS e responde-LHE com um «SIM» de total disponibilidade. Esse «SIM» tornou possível a presença salvífica de DEUS no mundo. José é o Homem que DEUS coloca nos seus planos, planos que para José são inaceitáveis, mas que aceita na mesma em total obediência ao DEUS Altíssimo.
Só há salvação para a humanidade em em Jesus Cristo, pois ele é o «DEUS connosco».

O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: «A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa.
Mt 1, 18-24

O Evangelho deste domingo fala-nos de Esperança…
A Palavra de Deus é toda ela de Esperança mas em tempo de Advento o termo faz ainda mais sentido. Esperança vem de esperar, e todos esperamos alguma coisa, mesmo quando não acreditamos realmente que possa vir a acontecer…
No dicionário a definição apresenta-se, modo geral, nestes termos: “Esperança é uma crença emocional na possibilidade de resultados positivos relacionados com eventos e circunstâncias da vida pessoal. A esperança requer uma certa perseverança — i.e., acreditar que algo é possível mesmo quando há indicações do contrário. O sentido de crença deste sentimento aproxima-o muito dos significados atribuídos à fé.”
Advento é tempo de esperança, por excelência. Tempo de preparação, de reflexão, de recolhimento, de repensar o nosso passado e reconstruir o nosso futuro, de preferência usando Jesus como exemplo cada vez mais próximo.
Mas como cultivar a esperança quando parecem não haver razões? Esperar o quê quando tudo quanto esperamos resulta em nada? Viver esperançoso com que fim, se as nossas esperanças só resultam em desilusões?
Se há coisa que a vida nos vai ensinando é que não é de sonhos que se constroem realidades. Os sonhos são úteis, são o ideal que nos guia quando as forças fraquejam, são a luz que vai brilhando no meio da escuridão, mas para que a luz brilhe precisa de alimento, para que o ideal subsista precisa de uma base que o sustente. Precisamos de sonhos, sim, mas enquanto os sonhos não se transformarem em objectivos tudo quanto sonharmos não passará de utopia, e a utopia é bela, sim, mas não gera felicidade.
Jesus deu forma aos sonhos de Deus, enfrentando a realidade, tornando objectivos os ideais que o guiaram. Estaremos nós preparados para seguir o seu exemplo? Se não, temos até ao Natal para encontrarmos forma de o fazer. E, como o Natal é sempre que o Homem quiser, Ele continua a dar-nos a oportunidade de, a cada dia, traçarmos um novo caminho para O seguir.

Naquele tempo, João Baptista ouviu falar, na prisão, das obras de Cristo e mandou-Lhe dizer pelos discípulos: «És Tu Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?». Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a Boa Nova é anunciada aos pobres. E bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo». Quando os mensageiros partiram, Jesus começou a falar de João às multidões: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Então que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas? Mas aqueles que usam roupas delicadas encontram-se nos palácios dos reis. Que fostes ver então? Um profeta? Sim – Eu vo-lo digo – e mais que profeta. É dele que está escrito: ‘Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, para te preparar o caminho’. Em verdade vos digo: Entre os filhos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista. Mas o menor no reino dos Céus é maior do que ele».
Mt 11, 2-11


O evangelho deste Domingo fala-nos de um verbo muito importante na nossa vida enquanto cristãos: “vigiar”.
Tal como Jesus disse aos seus discípulos: “se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa.” A nossa vida deve ser levada sempre de uma forma vigilante, devemos gozá-la sim, mas sem nos esquecermos Daquele que por nós morreu.
E de que forma podemos nós vigiar? Como podemos ser “vigilantes”? A resposta a estas questões parece tão fácil… Mas na nossa vida, no nosso quotidiano, torna-se tudo menos fácil. Podemos começar por orar, agradecer a Deus pelo dia que nos dá, uns bons, outros menos bons, mas a vida é assim. Ajudar os outros! Ora aí está uma grande maneira de nos mantermos vigilantes e agir segundo a Sua palavra! Desde que ajudemos mesmo e não só por vezes ou quando nos convém… Lembremo-nos: o que por vezes parece um pequeno gesto, para alguém pode significar muito.
Há que agir sempre com bastante humildade e simplicidade, características que tanto definiram a figura de Jesus Cristo aquando da sua passagem pela Terra. Demonstrar a nossa fé pelas obras, sendo bom não só para os nossos amigos mas também com aquelas pessoas que nos damos “menos bem”. Ao agir dessa forma estamos a provar toda a nossa bondade, por vezes custa mas acredito piamente em que seremos recompensados por isso.
Vigiemos então porque não se é cristão apenas nas celebrações festivas e afins, mas sim ao mostrarmo-nos diferentes nas nossas ações de bondade, de caridade, de fé.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Como aconteceu nos dias de Noé, assim sucederá na vinda do Filho do homem. Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou. Assim será também na vinda do Filho do homem. Então, de dois que estiverem no campo, um será tomado e outro deixado; de duas mulheres que estiverem a moer com a mó, uma será tomada e outra deixada. Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem.
Mt 24, 37-44


Este Domingo vamos ouvir falar de perseverança, palavra aparentemente tão datada quanto honestidade, generosidade ou lealdade, pelo menos a julgar pela quantidade de pessoas que ainda lhes dá uso… Num mundo em que tudo é transitório, que o que é verdade agora pode não o ser no momento seguinte e em que a realidade virtual ganha terreno frente à realidade… real, há certas coisas que realmente parecem não fazer sentido, ou se fazem torna-se tão difícil vê-lo que num pestanejar deixam de fazer… Ou não, se a dona perseverança perseverar!
Perseverança é, no fundo, a capacidade de fazer face às adversidades, de se manter fiel àquilo em que se acredita, de remar contra as marés. É um dom que custa a cultivar, principalmente em tempos conturbados, mas que só aí adquire verdadeiro sentido.
Há dias ouvíamos, muito subtilmente, falar do maior tufão já registado, que assolou o arquipélago das Filipinas. As vidas levadas pelas correntes, as faces lavadas pelas tempestades, os corações destroçados por perdas irreparáveis e feridas que certamente nunca sararão fazem parte de uma realidade que não se pode apagar com um clique… São pessoas, são seres humanos como nós, que viram o seu mundo ruir sem que nada pudessem fazer para o impedir. Um povo habituado a catástrofes naturais e a provações de todos os tipos, e que constitui a maior percentagem de católicos do mundo. Um país formado por mais de 7000 pequenas ilhas. Uma terra onde a pobreza material impera mas a esperança é rainha e a fé é mãe…
E é normalmente de quem mais sofre que se recebem as maiores lições, pois quem conhece o sofrimento profundo sabe reconhecer a humanidade de quem o rodeia e identificar-se com ela. É quem mais de perto conhece a dor que mais habituado está a lutar e melhor conhece os benefícios da perseverança, porque é ela o único caminho para ultrapassar os obstáculos e chegar a bom porto.
Há anos alguém me contava uma história que desde então sempre me acompanhou: algures num tempo e lugar longínquo, um sábio rei pedira que lhe gravassem três palavras no anel que empunhava. Nos momentos de maior provação e nos momentos de maior alegria, ele olhava o anel e reflectia. Nele podia ler-se: “Isto também passará”. E assim o rei reencontrava a sensatez na abundância e a esperança no desânimo.
Precisamos cada vez mais de símbolos de sabedoria, mais que isso, precisamos de ser sinais de esperança, porque o paraíso que nos é prometido nas escrituras pode (e deve!) ser construído aqui, agora, desde que cada um se comprometa nesse sentido e persevere na luta por aquilo que merece o esforço. E há tanto a ser feito… seja lá, onde a natureza responde enfurecida aos nossos ataques, ou bem perto, onde as ondas de indiferença e os remoinhos de desânimo levam tantos para tão longe.
Podemos fazer tanto, porque como as pequenas ilhas das Filipinas nos provam, a união faz a força, e não há energia mais poderosa neste mundo do que aquela que dá pelo nome de Amor e esse, quer queiramos quer não, quer nos demos conta ou nos passe ao lado, está Sempre presente e, com Ele, nada é impossível.

Naquele tempo, comentavam alguns que o templo estava ornado com belas pedras e piedosas ofertas. Jesus disse-lhes: «Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído». Eles perguntaram-Lhe: «Mestre, quando sucederá isto? Que sinal haverá de que está para acontecer?». Jesus respondeu: «Tende cuidado; não vos deixeis enganar, pois muitos virão em meu nome e dirão: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não os sigais. Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis: é preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim». Disse-lhes ainda: «Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes terramotos e, em diversos lugares, fomes e epidemias. Haverá fenómenos espantosos e grandes sinais no céu. Mas antes de tudo isto, deitar-vos-ão as mãos e hão-de perseguir-vos, entregando-vos às sinagogas e às prisões, conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Assim tereis ocasião de dar testemunho. Tende presente em vossos corações que não deveis preparar a vossa defesa. Eu vos darei língua e sabedoria a que nenhum dos vossos adversários poderá resistir ou contradizer. Sereis entregues até pelos vossos pais, irmãos, parentes e amigos. Causarão a morte a alguns de vós e todos vos odiarão por causa do meu nome; mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá. Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas».
Lc 21, 5-19

O Evangelho de hoje, fala-nos sobre o rico e Lázaro. Através de uma história, Jesus alerta-nos para a importância de cuidarmos bem dos pobres, são eles os amigos de Deus que abrirão a porta do céu para nós.
Podemos comparar o rico desta história, com a elite da sociedade contemporânea: os nossos governantes, também podemos comparar com todos aqueles que se dizem cristãos, mas que não tem compromisso com o evangelho, pois ignoram o que é de mais precioso para Deus: os pequeninos e os pobres!
Outra coisa que deve chamar a nossa atenção nesta parábola, é que Lázaro, mesmo sendo pobre, sobrevivendo das migalhas que caíam da mesa do rico, não reclamava da vida, o que nos mostra, que ele tinha total confiança na promessa de Deus. Promessa que se concretizou com o seu acolhimento no céu! Não esperemos que o pobre venha até a nós. Para que possamos ajudá-lo, a exemplo de Jesus, devemos ir até ele, certificar-nos das suas necessidades, demonstrar interesse por ele. A fome do pobre, nem sempre é de pão. Muitas vezes, a sua fome é fome de amor e carinho!
Como filhos e filhas do mesmo Pai, somos corresponsáveis pela vida dos nossos irmãos, por isso, temos que ter um olhar sensível, diferente, para com os que sofrem. Um verdadeiro cristão e seguidor de Jesus, não pode ignorar a dura realidade dos irmãos que sofrem, fazendo de conta que a desigualdade não existe. Precisamos aprender a olhar o irmão com o olhar de Jesus, um olhar que não apenas constata a sua necessidade, como também, ajuda-o a encontrar o caminho que o possibilitará uma vida digna.
É no rosto do pobre que esta estampado o rosto de Jesus.

Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: «Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias. Um pobre, chamado Lázaro, jazia junto do seu portão, coberto de chagas. Bem desejava saciar-se do que caía da mesa do rico, mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas. Ora sucedeu que o pobre morreu e foi colocado pelos Anjos ao lado de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. Na mansão dos mortos, estando em tormentos, levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado. Então ergueu a voz e disse: ‘Pai Abraão, tem compaixão de mim. Envia Lázaro, para que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nestas chamas’. Abraão respondeu-lhe: ‘Filho, lembra-te que recebeste os teus bens em vida e Lázaro apenas os males. Por isso, agora ele encontra-se aqui consolado, enquanto tu és atormentado. Além disso, há entre nós e vós um grande abismo, de modo que se alguém quisesse passar daqui para junto de vós, ou daí para junto de nós, não poderia fazê-lo’. O rico insistiu: ‘Então peço-te, ó pai, que mandes Lázaro à minha casa paterna – pois tenho cinco irmãos – para que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento’. Disse-lhe Abraão: ‘Eles têm Moisés e os Profetas: que os oiçam’. Mas ele insistiu: ‘Não, pai Abraão. Se algum dos mortos for ter com eles, arrepender-se-ão’. Abraão respondeu-lhe: ‘Se não dão ouvidos a Moisés nem aos Profetas, também não se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dos mortos’».
Lc 16, 19-31


“Quem é fiel nas coisas pequenas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas também é injusto nas grandes.”

Em duas palavras o Evangelho resume, pela voz de Jesus, as ideias essenciais que o precedem na celebração deste Domingo: “… vós que espezinhais o pobre e quereis eliminar os humildes da terra (…) Nunca esquecerei nenhuma das suas obras” e “que se façam orações, súplicas e acções de graças por todos os homens…” Como é costume, e por muito que pareça o contrário, as mensagens das leituras do dia não se contradizem, antes se complementam, em concordância com o Evangelho, para nos mostrar a melhor forma de agir.
Com a história dos “dois deuses” aos quais não podemos servir ao mesmo tempo, Jesus não nos diz que devemos viver como indigentes ou renunciar ao conforto que os bens materiais nos podem proporcionar. Ele limita-se a lembrar-nos de uma verdade que nunca devia ser ignorada: nenhum de nós é mais que qualquer outro, e todos somos responsáveis, de uma forma ou de outra, pela felicidade de quem nos rodeia. Seja pela dos homens de poder, que não precisam de críticas infundadas mas de lições de vida e exemplos construtivos; seja pela dos que podem menos do que nós, os “humildes da terra”, que merecem tanto a nossa consideração como qualquer outro e certamente necessitam dela mais do que os restantes.
Dizer que a busca pela justiça é uma obrigação dos senhores da lei é correcto e, mais do que isso, uma necessidade e uma exigência que todos devíamos fazer, mas lutar por ela é um dever de todos, e daqueles que querem seguir a Cristo de uma forma ainda mais severa.
Porque o que é injusto nas coisas pequenas também o é nas grandes, e o mundo precisa de gente fiel, de gente comprometida com a verdade, com a justiça, com o perdão, com a concórdia, com o bem-estar de todos. Não basta ir à missa a Domingo e rezar pelo que sofre – o que em si já são coisas boas – mas é preciso sair do conforto, estender a mão, dar a cara, usar a voz e os dons que nos foram confiados… Porque o mundo que nos rodeia está pejado de injustiças e para as combater não basta ficar sentado à espera que alguma coisa mude, não basta sequer apontá-las de longe com medo de se envolver, é preciso ir e fazer acontecer. Quem o faz arrisca-se a sofrer, a aguentar crueldades e maledicências, a bater com a cabeça nas paredes e ser crucificado das mais variadas formas, mas o risco de deixar o mundo um bocadinho melhor do que aquilo que se encontrou vale o esforço, e esse é o dever de todo aquele que quer servir a Deus.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Um homem rico tinha um administrador, que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar’. O administrador disse consigo: ‘Que hei-de fazer, agora que o meu senhor me vai tirar a administração? Para cavar não tenho força, de mendigar tenho vergonha. Já sei o que hei-de fazer, para que, ao ser despedido da administração, alguém me receba em sua casa’. Mandou chamar um por um os devedores do seu senhor e disse ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’. Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’. O administrador disse-lhe: ‘Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta’. A seguir disse a outro: ‘E tu quanto deves?’. Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. Disse-lhe o administrador: ‘Toma a tua conta e escreve oitenta’. E o senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. De facto, os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes. Ora Eu digo-vos: Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas. Quem é fiel nas coisas pequenas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas também é injusto nas grandes. Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso? Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedica a um e despreza o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro».
Lc 16, 1-13


“Quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo”, é a última frase do Evangelho deste Domingo e é a frase que melhor o caracteriza, na qual está presente toda a sua mensagem. Hoje em dia, na nossa sociedade, custa muito às pessoas “renunciar a todos os seus bens”. A nossa sociedade dá mais valor aos bens materiais do que a tudo o resto… Mas quem quer seguir a Jesus Cristo tem de ser simples, tal como Ele, que andava apenas com umas sandálias nos pés e uma humilde veste, que andava no meio dos mais pobres mas também abria o seu coração aos ricos, que a todos perdoa os pecados,… Jesus, único filho de Deus, veio ao nosso mundo com essa simplicidade que nos deve inspirar para O seguirmos.
Largar tudo e segui-Lo é fácil? Não, não é de todo fácil, mas Ele nunca disse que o Seu caminho era fácil e só com renuncias a muitas coisas mundanas conseguimos caminhar a Seu lado. Que o digam os sacerdotes, que largam tudo o que têm, as suas famílias, os seus amigos, tudo, para anunciarem a sua palavra; os missionários, que deixam o seu país, arriscando por vezes até as suas vidas em países em que se irão deparar com problemas locais como a fome, doenças, miséria total, morte…
“Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo” disse Jesus à multidão. Tomemos então a nossa cruz e sigamo-Lo pois, apesar de esta puder vir a ser bastante pesada, de certeza que não se compara com a cruz que Ele transportou por nós, para nos salvar!

Naquele tempo, seguia Jesus uma grande multidão. Jesus voltou-Se e disse-lhes: «Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo. Quem de vós, desejando construir uma torre, não se senta primeiro a calcular a despesa, para ver se tem com que terminá-la? Não suceda que, depois de assentar os alicerces, se mostre incapaz de a concluir e todos os que olharem comecem a fazer troça, dizendo: ‘Esse homem começou a edificar, mas não foi capaz de concluir’. E qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro a considerar se é capaz de se opor, com dez mil soldados, àquele que vem contra ele com vinte mil? Aliás, enquanto o outro ainda está longe, manda-lhe uma delegação a pedir as condições de paz. Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo».
Lc 14, 25-33